O fim da licença-maternidade se aproxima e, com ele, um turbilhão de sentimentos. Se por um lado existe a expectativa de retomar a carreira e a vida social, por outro, uma onda de inseguranças e expectativas – muitas vezes irreais – pode tornar esse processo angustiante. A cabeça fica a mil: “Será que ainda sou uma boa profissional?”, “Como vou dar conta de tudo?”, “E se meu bebê não se adaptar bem?”, “Vão me ver com outros olhos no trabalho?”.
Calma. Respirar fundo é o primeiro passo. O segundo é entender que essa fase de transição é desafiadora para a maioria das mulheres e que ajustar suas expectativas e lidar com as inseguranças é a chave para um retorno mais sereno e bem-sucedido. Este guia foi pensado para te ajudar nesse processo.
1. Ajustando as expectativas: a realidade vs. a fantasia
O maior inimigo da mãe que retorna ao trabalho é a expectativa de que tudo será como antes, ou pior, a cobrança para ser uma “supermulher” que dá conta de tudo com perfeição.
Expectativa pessoal: abandone a capa da super-heroína.
- A verdade: Você não é a mesma pessoa, e isso é ótimo. A maternidade te transformou, trouxe novas habilidades (como gestão de crise em tempo real e uma capacidade de priorização sem igual) e novas prioridades. Tentar ser a mesma profissional de antes, com a mesma disponibilidade de tempo e energia, é uma receita para a frustração.
- Como ajustar: Abrace a sua nova versão. Entenda que haverá dias em que você se sentirá superprodutiva e outros em que a noite mal dormida cobrará seu preço. A meta não é a perfeição, mas o equilíbrio possível. Comemore as pequenas vitórias, como conseguir participar de uma reunião importante ou sair no horário para buscar seu filho. Seja gentil consigo mesma.
Expectativa profissional: comunique-se com clareza.
- A verdade: Seus colegas e gestores podem não saber como agir ou o que esperar de você. A comunicação aberta é sua melhor ferramenta.
- Como ajustar: Agende uma conversa com seu líder antes ou logo no seu retorno. Seja transparente sobre sua nova realidade e suas necessidades (como a necessidade de sair no horário ou de ter um local para extrair leite, por exemplo). Ao mesmo tempo, reforce seu comprometimento com suas responsabilidades. Proponha soluções e mostre que, apesar dos novos desafios logísticos, sua dedicação profissional continua a mesma. Isso alinha as expectativas de ambos os lados e evita mal-entendidos.
2. Lidando com as inseguranças mais comuns
As inseguranças são como fantasmas que sussurram em nossos ouvidos. Mas quando jogamos luz sobre elas, elas perdem a força. Vamos encarar as mais comuns?
“Não sou mais competente / Estou desatualizada.”
- A realidade: É natural se sentir um pouco “enferrujada” após meses afastada. O ritmo da empresa pode ter mudado, novas ferramentas podem ter surgido. Mas sua competência principal, sua experiência e seu conhecimento não desapareceram.
- Como lidar: Peça um briefing. Converse com um colega de confiança para te atualizar sobre os principais projetos e mudanças. Não tenha medo de perguntar o óbvio. Nos primeiros dias, foque mais em ouvir e observar do que em executar. Permita-se uma curva de reaprendizagem. Lembre-se: você aprendeu a cuidar de um ser humano do zero; aprender a usar um novo software será fichinha.
“Vão me julgar por sair no horário ou por precisar faltar se meu filho ficar doente.”
- A realidade: Essa é uma preocupação legítima, mas a cultura de muitas empresas tem evoluído. Além disso, seus direitos como mãe trabalhadora são protegidos por lei.
- Como lidar: Construa uma relação de confiança com sua equipe. Quando estiver no trabalho, esteja presente e focada. Entregue resultados de qualidade e seja proativa. Uma profissional que demonstra responsabilidade e comprometimento ganha a credibilidade necessária para que suas necessidades pessoais sejam respeitadas e compreendidas, não vistas como desculpas.
“Não vou dar conta da dupla jornada (trabalho + casa + maternidade).”
- A realidade: Você não vai dar conta de tudo sozinha, e nem deveria. A gestão da casa e do cuidado com os filhos é uma responsabilidade compartilhada.
- Como lidar: Crie uma rede de apoio sólida. Isso começa em casa, dividindo as tarefas de forma clara com seu parceiro(a). Envolve também avós, amigos, e a escolha de uma boa escola ou babá em quem você confie. No trabalho, aprenda a delegar e a dizer “não” para o que não é prioridade. Otimize seu tempo: o que pode ser um e-mail em vez de uma reunião? Que tarefa pode ser automatizada?
Para finalizar, lembre-se: a volta ao trabalho é um capítulo de um livro muito maior. Haverá dias difíceis, mas também haverá a alegria de reencontrar sua identidade profissional, a satisfação de contribuir com seus talentos e a construção de um novo equilíbrio que, aos poucos, se tornará sua nova e poderosa rotina. Tenha paciência, celebre seu progresso e, acima de tudo, orgulhe-se da profissional e da mãe que você é.